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domingo, 17 de janeiro de 2016

CODEPENDÊNCIA

Codependência

Alguns familiares, cônjuges e companheiros(as), se dedicam excessivamente aos parentes com alcoolismo, drogas ou outros transtornos da personalidade.
Família | Dependências |

Intrigante e até misteriosa, é a aparente perseverança com que alguns familiares, normalmente cônjuges e companheiros(as), se dedicam aos parentes com problemas de dependência, alcoolismo, jogo patológico ou outro transtorno grave da personalidade. Difícil entender como e porque essas pessoas suportam heroicamente todo tipo de comportamento problemático, ou até atitudes sociopáticas dos companheiros(as), como se assumissem uma espécie de desígnio ou “carma”, para o qual fossem condenados para todo o sempre.

Não se consegue compreender porque essas pessoas abrem mão da possibilidade de ser feliz ou de diminuir o sofrimento, permanecendo atreladas à pessoa problemática, suportando toda a tirania de sua anormalidade, como se esse fosse o único papel reservado pelo destino.
Os profissionais com prática no exercício da clínica psiquiátrica sabem das dificuldades existenciais dessas pessoas codependentes, ou seja, “dependentes” dos companheiros(as) problemáticos, quando estes deixam o vício. Parece que os codependentes ficaram órfãos, de uma hora para outra, perdidos e sem propósito de vida. Não é raro que passem elas, as pessoas codependentes, a apresentar problemas semelhantes àqueles dos antigos dependentes que cuidavam.
Codependência é um transtorno emocional definido e conceituado por volta das décadas de 70 e 80, relacionada aos familiares dos dependentes químicos, e atualmente estendido também aos casos de alcoolismo, de jogo patológico e outros problemas sérios da personalidade.
Codependentes são esses familiares, normalmente cônjuge ou companheira(o), que vivem em função da pessoa problemática, fazendo desta tutela obsessiva a razão de suas vidas, sentindo-se úteis e com objetivos apenas quando estão diante do dependente e de seus problemas. São pessoas que têm baixa auto-estima, intenso sentimento de culpa e não conseguem se desvencilhar da pessoa dependente.
O que parece ficar claro é que os codependentes vivem tentando ajudar a outra pessoa, esquecendo, na maior parte do tempo, de cuidar de sua própria vida, auto-anulando sua própria pessoa em função do outro e dos comportamentos insanos desse outro. Essa atitude patológica costuma acometer mães (e pais), esposas (e maridos) e namoradas(os) de alcoolistas, dependentes químicos, jogadores compulsivos, alguns sociopatas, sexuais compulsivos, etc.
O Codependente é Atado na pessoa problemaUma expressão que representa bem a maneira como o codependente adere à pessoa problemática é atadura emocional. Dizemos que existe atadura emocional quando uma pessoa se encontra atrelada emocionalmente a coisas negativas ou patológicas de alguém que o rodeia; seja esposo, filho, parente, companheiro de trabalho, etc. Devida a essas amarras emocionais o codependente passa a ser quase um outro dependente (da pessoa problemática).
Codependência se manifesta de duas maneiras: como um intrometimento em todas as coisas da pessoa problema, incluindo horário de tomar banho, alimentação, vestuário, enfim, tudo o que diz respeito à vida do outro. Em segundo, tomando para si as responsabilidades do outra pessoa. Evidentemente, ambas atitudes propiciam um comportamento mais irresponsável ainda por parte da pessoa problemática.
Percebe-se na codependência um conjunto de padrões de conduta e pensamentos (patológicos) que, além  compulsivos, produzem sofrimento. O codependente almeja ser, realmente, o salvador, protetor ou consertador da outra pessoa, mesmo que para isso ele esteja comprovadamente prejudicando e agravando o problema do outro.
Como se nota, o problema do codependente é muito mais dele próprio do que da pessoa problemática e, normalmente, a nobre função do codependente depende da capacidade de ajudar ou salvar a outra pessoa, que sempre é transformada em vítima e não responsável pelos próprios problemas.
Por causa do envolvimento de toda a família nos problemas do dependente ou alcoolista, considera-se que o alcoolismo ou o uso nocivo de drogas é uma doença que afeta não apenas o dependente, mas também a família.
Sintomas da CodependênciaCodependência é uma condição específica que se caracteriza por uma preocupação e uma dependência excessivas (emocional, social e a vezes física), de uma pessoa em relação à outra, reconhecidamente problemática. Depender tanto assim de outra pessoa se converte em uma condição patológica que caracteriza o codependente, comprometendo suas relações com as demais pessoas. Em pouco tempo o codependente começa a achar que ninguém apóia a pessoa problema (como ele), que ambos são incompreendidos, ele e a pessoa problemática, ambos não recebem o apoio merecido, etc.
Codependente tem seu próprio estilo de vida e seu modo de se relacionar consigo próprio, com os demais e com a pessoa problemática. Devido sua baixa auto-estima, ele sempre se preocupa mais com os outros do que consigo mesmo (pelo menos aparentemente).
A pessoa codependente não sabe se divertir normalmente porque leva a vida demasiadamente a sério, parecendo haver um certo orgulho em carregar tamanha cruz, em suportar as ofensas, humilhações e frustrações. Como ele precisa desesperadamente da aprovação dos demais, porque no fundo ele mesmo sabe que está exagerando em seus cuidados com a pessoa problemática, procura ter complacência e compreensão com todos por uma simples questão de reciprocidade (quer que os outros também entendam o que está fazendo).
Codependência se caracteriza por uma série de sintomas e atitudes mais ou menos teatrais, e cheias de Mecanismos de Defesa, tais como:
1. - Dificuldade para estabelecer e manter relações íntimas sadias e normais, sem que grude muito ou dependa muito do outro
2. - Congelamento emocional. Mesmo diante dos absurdos cometidos pela pessoa problemática o codependente mantém-se com a serenidade própria dos mártires.
3. - Perfeccionismo. Da boca para fora, ou seja, ele professa um perfeccionismo que, na realidade ele queria que a pessoa problemática tivesse.
4. - Necessidade obsessiva de controlar a conduta de outros. Palpites, recomendações, preocupações, gentilezas quase exageradas fazem com que o codependente esteja sempre super solícito com quase todos (assim ele justificaria que sua solicitude não é apenas com a pessoa problemática).
5. - Condutas pseudo-compulsivas. Se o codependente paga as dívidas da pessoa problemática ele “nunca sabe bem porque fez isso”, diz que não consegue se controlar.
6. – Sentir-se responsável pelas condutas de outros. Na realidade ele se sente mesmo responsável pela conduta da pessoa problemática, mas para que isso não motive críticas, ele aparenta ser responsável também pela conduta dos outros.
7. - Profundos sentimentos de incapacidade. Nunca tudo aquilo que fez ou está fazendo pela pessoa problemática parece ser satisfatório.
8. – Constante sentimento de vergonha, como se a conduta extremamente inadequada da pessoa problemática fosse, de fato, sua.
9. – Baixa autoestima.
10. - Dependência da aprovação externa, até por uma questão da própria auto-estima.
11. - Dores de cabeça e das costas crônicas que aparecem como somatização da ansiedade.
12. - Gastrite e diarréia crônicas, como envolvimento psicossomático da angústia e conflito.
13. - Depressão. Resultado final
Parece um nobre empenho ajudar a outras pessoas que se estão se autodestruindo, como no caso dos alcoolistas ou dependentes químicos, do jogo ou do sexo compulsivos. Entretanto, se quem ajuda se esquece de si mesmo, se entrega à vida da outra pessoa problemática, então estamos diante da Codependência. A dor naCodependência é maior que o amor que se recebe e se uma relação humana resulta prejudicial para a saúde física, moral ou espiritual, ela deve ser desencorajada.
Na realidade a codependência é uma espécie de falso-amor, uma vez que parece ser destrutivo, tendo em vista que pode agravar o problema em questão, seja a dependência química, alcoolismo, transtornos de personalidade, etc. Todo amor que não produz paz, mas sim angústia ou culpa, está contaminado de codependência, é um amor patológico, obsessivo é bastante destrutivo. Ao não produzir paz interior nem crescimento espiritual, a codependência cria amargura, angustia e culpa, obviamente, ela não leva à felicidade. Então, vendo desse jeito, a codependência aparenta ser amor, mas é egoísmo, medo da perda de controle, da perda da relação em si.
Disfunção FamiliarNa família da pessoa problemática as relações familiares e a comunicação interpessoal vão se tornando cada vez mais complicadas. A comunicação se faz mais confusa e indireta, de modo que é mais fácil encobrir e justificar a conduta do dependente do que discuti-la. Esta dificuldade (disfunção) vai se convertendo em estilo de vida familiar e produzindo, em muitos casos, o isolamento da família dos contatos sociais cotidianos. As regras familiares se tornam confusas, rígidas e injustas para seus membros, de forma que os deveres passam a ser distorcidos, com algum prejuízo das pessoas que não têm problemas e privilégios da pessoa problemática.
Como se vê, a conduta codependente é uma resposta doentia ao comportamento da pessoa problemática, e se converte em um fator chave na evolução da dependência, isto é, a codependência promove o agravamento da situação da pessoa problemática, processo chamado de facilitação. Mas, os codependentes não se dão conta de que estão facilitando o agravamento do problema, em parte pela negação e em parte porque estão convencidos de que sua conduta esta justificada, uma vez que estão “ajudando” o dependente a não se deteriorar ainda mais e que a família não se desintegre.
Costuma ser mais freqüente do que se pensa, as pessoas codependentes buscarem ajuda médica, porém, sem que tenham crítica de tratar-se de codependência. Antes disso, essas pessoas se queixam de depressão ou simplesmente de estresse.
Os profissionais de saúde que trabalham na área de dependências, correm sempre o risco de desenvolver codependência como resultado da exposição crônica à dependência dos pacientes.
As manifestações dessa codependência profissional são muito variadas, podendo dizer respeito à assumir franca e pesada responsabilidade pelo dependente, protege-lo das conseqüências de suas decisões, e dar-lhe sermões repetitivos, enfim, assumir atitudes que ultrapassam as funções do profissional.
Quando acontece a codependência em profissionais da área (médicos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, pessoal da enfermagem), normalmente não há uma crítica imediata da situação, senão a sensação de que todas as atitudes objetivam genuinamente ajudar o paciente. Entretanto, a codependência está longe de ajudar, sendo mais provável um agravamento da dependência ou uma facilitação.
O impacto que a família sofre com o uso de drogas por um de seus membros é correspondente as reações que vão ocorrendo com o sujeito que a utiliza. Este impacto pode ser descrito através de quatro estágios pelos quais a família progressivamente passa sob a influência das drogas e álcool:
1. Na primeira etapa, é preponderantemente o Mecanismo de Negação. Ocorre tensão e desentendimento e as pessoas deixam de falar sobre o que realmente pensam e sentem.
2. Em um segundo momento, a família demonstra muita preocupação com essa questão, tentando controlar o uso da droga, bem como as suas conseqüências físicas, emocionais, no campo do trabalho e no convívio social. Mentiras e cumplicidades relativas ao uso abusivo de álcool e drogas instauram um clima de segredo familiar. A regra é não falar do assunto, mantendo a ilusão de que as drogas e álcool não estão causando problemas na família.
3. Na terceira fase, a desorganização da família é enorme. Seus membros assumem papéis rígidos e previsíveis, servindo de facilitadores. As famílias assumem responsabilidades de atos que não são seus, e assim o dependente químico perde a oportunidade de perceber as conseqüências do abuso de álcool e drogas. ? comum ocorrer uma inversão de papéis e funções, como por exemplo, a esposa que passa a assumir todas as responsabilidades de casa em decorrência o alcoolismo do marido, ou a filha mais velha que passa a cuidar dos irmãos em conseqüência do uso de drogas da mãe.
4. O quarto estágio é caracterizado pela exaustão emocional, podendo surgir graves distúrbios de comportamento e de saúde em todos os membros. A situação fica insustentável, levando ao afastamento entre os membros gerando desestruturação familiar
Recuperação da Codependência
Codependência também pode ser agravante e desencadeante de depressão, suicídio, doenças psicossomáticas, e outros transtornos. Os grupos de ajuda para familiares de dependentes (químicos e alcoólicos) visam, principalmente, reverter este quadro, orientando os familiares a adotarem comportamentos mais saudáveis. Os profissionais acham que o primeiro passo em direção a esta mudança é tomar consciência e aceitar o problema.

O tratamento da Codependência pode consistir de psicoterapia, grupos de auto ajuda, terapia familiar e em alguns casos, antidepressivos e ansiolíticos. Os grupos de auto ajuda para familiares de dependentes, tais como, Alanom e Codependentes Anônimossão de grande utilidade no processo de recuperação familiar da codependência.
Codependentes Anônimos
Nos mesmos moldes dos Alcoólicos AnônimosCodependentes Anônimos são grupos de ajuda com metodologia de relato em grupo e do estímulo para observância de algumas recomendações disciplinares e de alguns passos importantes. As chamadas Doze Tradições dos Codependentes Anônimos foram adaptados das 12 Tradições de Alcoólicos Anônimos conforme abaixo:

1- Nosso bem-estar comum deve estar sempre em primeiro lugar; a recuperação pessoal depende da unidade de Codependentes Anônimos.
2- Somente uma autoridade preside, em última análise, ao nosso propósito comum – um Poder Superior amantíssimo que Se manifesta em nossa consciência coletiva. Nossos líderes são apenas servidores de confiança; não têm poderes para governar.
3- O único requisito para ser membro da unidade de Codependentes Anônimos é ter um sincero desejo para relacionamentos saudáveis e amorosos.
4- Cada Grupo deve ser autônomo, salvo em assuntos que afetam outros Grupos, ou Codependentes Anônimos como um todo.
5- Cada Grupo tem um único propósito primordial – levar sua mensagem ao Codependente que ainda sofre.
6- Um Grupo de Codependentes Anônimos nunca deverá jamais endossar, financiar ou emprestar o nome de Codependentes Anônimos a qualquer sociedade parecida ou empreendimento alheio à irmandade, para que problemas de dinheiro, propriedade e prestígio não nos desviem de nosso propósito espiritual.
7- Cada Grupo deverá ser totalmente auto-sustentável, recusando assim contribuições de fora.
8- Codependentes Anônimos deverá permanecer sempre não profissional, embora nossos centros de serviços possam empregar trabalhadores especializados
9- Codependentes Anônimos, jamais deverá organizar-se como tal; podemos, porém, criar juntas ou comitês de serviço diretamente responsáveis perante aqueles a quem prestam serviços.
10- Codependentes Anônimos não opinam sobre questões alheia à Irmandade, portanto, o nome de Codependentes Anônimos, jamais deverá aparecer em controvérsias públicas.
11- Nossas relações com o público baseiam-se na atração em vez da promoção; cabe-nos sempre preservar o anonimato pessoal em nível de imprensa, rádio e filmes.
12- O anonimato é a base espiritual de todas as nossas Tradições, lembrando-nos sempre da necessidade de colocar os princípios acima das personalidades.
Vejamos agora os Doze Passos de Codependentes Anônimos, também adaptados dos12 Passos de Alcoólicos Anônimos
1- Admitimos que éramos impotentes perante os outros - que nossas vidas haviam se tornado incontroláveis.
2- Viemos a acreditar que um Poder Superior a nós, poderia nos devolver a sanidade.
3- Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidado de Deus como nós O concebíamos.
4- Fizemos um destemido e minucioso inventário moral de nós mesmos.
5- Admitimos perante a Deus, perante nós mesmos e perante outro ser humano, a natureza exata de nossas falhas.
6- Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de caráter.
7- Humildemente rogamos a Deus para que nos livrasse de nossas imperfeições.
8- Fizemos uma relação de todas as pessoas a quem tínhamos prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados.
9- Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível, exceto quando fazê-lo significasse prejudicá-las ou a outrem. 10- Continuamos fazendo o inventário pessoal, e quando nós estávamos errados, nós o admitíamos prontamente.
11- Procuramos através da prece e da meditação melhorar nosso contato consciente com Deus como nós O concebíamos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós e força para realizar essa vontade.
12- Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a estes Passos, procuramos levar esta mensagem para outros codependentes e praticar estes princípios em todos as nossas atividades.
American Society of Addiction Medicine propõe três fases para o tratamento de famílias de dependentes químicos, sendo que o nível de intervenção varia de acordo com a meta de tratamento estabelecida, bem como as necessidades da família. A tabela abaixo sumariza os níveis de intervenção familiar de acordo com as fases:
Fase I:
- 1. Trabalhar a negação;
- 2. Interromper o consumo de substâncias
Fase II:
- 1. Prevenir recaídas;
- 2. Estabilizar a família, melhorando seu funcionamento. 
Fase III:
- 1. Aumentar a intimidade do casal, no plano emocional e sexual.
Segundo a psicóloga Neliana Buzi Figlie, especialista em dependência química, a Fase Iobjetiva que o dependente a atinja a abstinência. Para tal é importante auxiliar as pessoas a assumir a responsabilidade sobre seus comportamentos e sentimentos. Por vezes, alguns membros podem ser atendidos conjuntamente, enfatizando a diminuição da reatividade do impacto de um familiar nos outros. Ao pensar no modelo de doença, nesta fase é trabalhado o conceito de Codependência.
No referencial sistêmico, o foco centra-se na esposa definir uma posição de modo a quebrar o circulo repetitivo do funcionamento familiar e desta forma, auxiliar o dependente em sua recuperação. O referencial comportamental trabalha com a perspectiva de visualizar comportamentos do cônjuge que reforcem o comportamento aditivo, almejando a substituição por comportamentos que reforcem a sobriedade.
Na Fase II, ainda segundo Neliana Buzi Figlie, o foco é identificar padrões disfuncionais na família como um todo, tanto na família de origem, quanto da família de procriação. Nesta fase é importante retomar rituais familiares e conforme o grau de dificuldade, o encaminhamento para uma psicoterapia familiar especializada pode ser realizado.
A Fase III é definida como uma nova fronteira no tratamento da dependência química, sendo uma das áreas menos exploradas e talvez uma das mais controversas. Muito tempo após a cessação do consumo de substâncias, alguns relacionamentos continuam desgastados. Nesta fase o tratamento tem como meta aumentar a intimidade do casal e a participação de ambos no processo é fundamental.
Em termos de modalidades de tratamentos psicológicos, Neliana Buzi Figlie discorre sobre 4 tipos:
Grupos de Pares, onde os membros da família são distribuídos em diferentes grupos dependentes químicos, pais, mães, irmãos, cônjuges, etc. A interação entre pares é facilitadora de mudanças, uma vez que escutar de um par não é o mesmo que escutar de um profissional, porque o par passa por situação semelhante e não é alvo de fantasias e idealizações como o terapeuta.
Grupos de Multifamiliares. Através de um encontro de famílias que compartilham da mesma problemática, cria-se um novo espaço terapêutico que permite um rico intercâmbio a partir da solidariedade e ajuda mútua, onde as famílias se convocam para ajudar a solucionar o problema de uma e de todas, gerando um efeito em rede. Todas as famílias são participantes e destinatárias de ajuda.
Psicoterapia de Casal, onde os casais podem ser atendidos individualmente ou também em grupos, uma vez que o profissional tenha habilidades para conduzir as sessões sem expor particularidades que não sejam adequadas ao tema focado.
Psicoterapia Familiar. Aqui a é a abordagem mais especializada segundo um referencial teórico de escolha do profissional para a compreensão do padrão familiar e intervenção. Nesta modalidade se reúne a família e o dependente químico.


para referir:
Ballone GJ - Codependência - in. PsiqWeb, Internet, disponível emwww.psiqweb.med.br, revisto
em 2008.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

O MAL DO SÉCULO

 POR 

O mal do século: A Depressão numa visão Junguiana


Este mal do século, a depressão, tem a ver com as crenças em cada ser humano, que vão desde a afirmações repetidas sobre quem somos em nossa infância até crenças a respeito do Todo. Qualquer mal é fruto da ignorância, e esta se constrói a partir de nossas feridas, em fixações infantis, formando o arquétipo central da sombra, que envolve nosso Self, ou si mesmo. A ansiedade é gerada pela falta de busca interior, um atraso ou retardo em nosso tempo de crescimento, gerando um descompasso com o Tempo, que é inconsciente. O conhecer a si mesmo, é um processo, um processo de individuação, onde forma nossa personalidade e realiza o ideal do nosso ser. É necessário o enfrentamento com a sombra, a própria sombra que criamos a respeito da nossa verdade interior, e nos deixa cegos ou ignorantes em torno de nosso Ego, agarrados a medos e culpas, e que nos cria uma uma venda de ilusões sobre a realidade daquilo que somos, vendas de rótulos, preconceitos e intolerância, gerados pelo medo do que é desconhecido. A Depressão é falta do saber, a falta do conhecimento de si, e é uma chamada ao processo individual necessário para cada um. A falta de coragem nesse enfrentamento com o que somos em nossa sombra, gera sofrimento, e tem como raiz o medo mais primitivo do ser humano: o medo da morte. Isto se inicia a partir do amor corrompido e repetido em formas nas crenças individuais. Todas as nossas fixações a partir destas crenças infantis, criam formas relacionadas a arquétipos e estes precisam ser confrontados no processo de individuação. Estas formas internas e fixas das nossas crenças desde a infância, estão sempre interligadas, do inconsciente individual, aos arquétipos no inconsciente coletivo, como uma ponte que nos leva a realização pessoal e Transpessoal.

FONTE https://teoriadetudo.wordpress.com

O PSIQUISMO HUMANO

O Psiquismo Humano: A união da Consciência e o Inconsciente


Nosso Psiquismo se divide em: uma Psique Inconsciente, e uma Psique consciente. Se tudo na natureza é dual, nossa psique não poderia ser diferente. Uma precisa da outra, ambas precisam estar ligadas em Sincronicidade, resultando na Totalidade final em um Indivíduo.
Nossa Consciência possui regiões das emoções (inteligência emocional) e dos pensamentos(inteligÊncia racional), possuímos uma memória onde guardamos os registros das experiências que tivemos ao longo de nossa vida. Essa memória que guarda na Consciência está diretamente ligada aos sentimentos que nutrimos ao longo da vida, e são estes sentimentos que formam nossas crenças e complexos, o ego é o centro de nossa Psique consciente.
Estes sentimentos que estão registrados em nossa Psique Consciente, fazem uma ligação, ou uma ponte à Psique Inconsciente através dos desejos, que são nossas vontades.
Na Psique inconsciente temos a intuição como a Inteligência inerente a ela, uma memória que guarda todas nossas experiências ao longo de nossas muitas vidas, ou os registros de nossas experiências em nosso Tempo cíclico, que é atemporal. Essa memória que guardam os desejos ou vontades primordiais, que se localizam nos instintos. O centro da Psique Inconsciente é o Self.

No processo de individuação a consciência e o Inconsciente comunicam-se através dos nossos sentimentos dos nossos desejos, nos instintos. Nossos sentimentos na Psique consciente fazem pontes aos sentimentos da Psique inconsciente. Na psique consciente o amor é manifestado na paixão que é o carro chefe do Ego, buscamos conscientemente por nossas paixões. Na psique inconsciente estão nossas verdadeiras paixões, àquelas que nossa consciência busca saber. A consciência totalizada sintetiza nossas paixões, mas não o desejo do amor verdadeiro, o amor do inconsciente. Esse amor que no inconsciente está ligado ao instinto da sincronicidade, do amar e ser amado verdadeiramente. A sincronicidade com o outro ou um grupo, pelo principio semelhante atrai semelhante, é que faz  com que o outro nos veja exatamente como somos na singularidade, em nossas diferenças individuais, sem, as prejudiciais, projeções.
Em nossa Pisque Inconsciente a única razão que existe é formada pela sincronicidade dos nossos instintos. E esta sincronicidade dos instintos, que é a mesma dos desejos insconcientes, é que resulta na totalidade da nossa Psique Inconsciente. Na Psique consciente, da mesma forma, a totalidade é adquirida pela sincronicidade da nossa razão e emoções, ou dos nossos pensamentos e sentimentos. Quando totalizamos nossa Psique consciente descobrimos em nossa individualidade nossos verdadeiros desejos. Esses desejos que irão alimentar nossos instintos, no inconsciente. Se não temos totalizada nossa Psique inconsciente, ou organizada de forma sincrônica dos instintos, esses desejos alimentam de forma desigual esses instintos. Gerando uma falta de sincronicidade interior e exterior, entre inconsciência e consciência.
o sentimento de paixão alimenta somente nossa Libido, porém não alimenta ou não une os outros instintos pela sincronicidade. A Psique consciente e totalizada ama a si própria, mas a Psique inconsciente, liga esse amor sobre nós mesmos ao amor do outro semelhante. Sem a Psique Inconsciente totalizada, satisfazemos puramente um desejo do Ego.
É o amor do Inconsciente que nos permite enxergar o outro e enxergar qual indivíduo é o nosso par semelhante, nosso par dual. Esse par dual é a formação de um espírito eterno, pois liga no espaço atemporal duas almas sincrônicas. Realizando plenamente todos os desejos da nossa totalidade individual que está no desejo maior da sincronicidade no amor, do amar e ser amado. Pela sincronia do nosso desejo consciente e inconsciente em amar e ser amado, alimentamos o instinto de sincronicidade, que leva à sincronicidade do tempo e do espaço.
Quando não amamos de forma altruísta ou inconsciente, nosso instinto da sincronicidade não é alimentado, o que não gera a totalidade da nossa Psique inconsciente. Então, alimentamos o sentimento de amor em nossa Libido, nas paixões e no desejo sexual. Isso nutre somente nosso Ego. Mas nosso Self precisa da nutrição para o amor verdadeiro, porque em nosso inconsciente existe esse arquétipo, e essa nutrição é feita pelo instinto da sicronicidade.
A psique inconsciente totalizada precisa de uma Psique consciente totalizada, para a clareza de nossos desejos conscientes, porque são esses nossos desejos conscientes que nutrem nossos instintos. A nutrição de todos nossos instintos nos leva a uma Psique Inconsciente totalizada, nos faz enxergar os nossos semelhantes, e pela sincronicidade podemos encontrar o nosso par dual, o amor verdadeiro, ou nossa “alma gêmea”.  A união de duas almas semelhantes, formam um par dual. E esse par dual de almas é que forma o espírito eterno, ou seja, torna as duas almas ligadas no tempo cíclico ou atemporal e consequentemente, no espaço. A  sincronicidade (pelo o desejo de amar e ser amado) nos leva à totalidade da Psique Inconsciente no tempo, e a totalidade da Psique consciente gera a sincronicidade no espaço, ambas em sincronia, nos faz entrar em sincronia com nossos semelhantes pela Lei de atração.
A Psique inconsciente totalizada, ou com os instintos agindo de forma sincrônica, em sincronia com nossa Psique consciente também já totalizada, é o que nos faz uma alma totalizada, um indivíduo. E alcançando esta totalidade individual, pelo principio, semelhante atrai semelhante, atraimos nosso par dual, formando então novamente uma célula cósmica da dualidade. E essa totalidade sincrônica de opostos acontece no espaço atemporal, e pode acontecer no espaço físico ou não-físico.
Poderíamos então chamar de carma a repetição de experiências por atração, dos sentimentos experimentados na consciência e não sincrônicos em nossa totalidade Psiquíca do inconsciente. Esses pontos não-sincrônicos, nos leva a repetir no espaço experiências semelhantes, isso para nos fazer caminhar para a Totalidade da nossa Psique: no inconsciente e no consciente.
O amor puro, verdadeiro,  ou altruísta é o desejo de nosso inconsciente, porque é através dele que encontrmos o nosso verdadeiro par dual. A doação de nosso tempo ao outro, para ouví-lo, observá-lo em si mesmo, é que nos permite observar a sincronicidade com este indivíduo. Essa doação do nosso tempo ao outro, esse ato de entrega, é o amor do inconsciente, a imagem do amor altruísta.
Na mitologia Grega, essa união do Inconsciente à consciência está representada no casamento de Eros (o amor inconsciente) e a Psique, que passar a amar Eros conscientemente, quando vê sua face.
FONTE  https://teoriadetudo.wordpress.com

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Feliz Ano Novo aos corações velhos

Por Frei Betto
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Feliz Ano Novo aos que praguejam sobre o solo árido de suas vida sem garimpar alegrias, e aos que amarram o espírito em teias de aranha sem se dar conta de que os dias tecem destinos. Também aos que desaprenderam o sorriso e abandonaram ao olvido a criança que neles residia.

Feliz Ano Novo aos que perambulam às margens da memória e semeiam ódio no quintal da amargura; guardam dinheiro na barriga da alma e penhoram a felicidade em troca de ambições; são náufragos de lágrimas, cegos aos arquipélagos da esperança, e fantasiam de asas as suas garras, voejando em torno do próprio ego.

Feliz Ano Novo aos que sonegam carinho e ainda cobram atenção, alpinistas da prepotência que os conduz ao abismo; àqueles que, alheios ao que se passa em volta, ilham-se na indiferença enquanto o mar arde em fogo; e a quem gasta saliva tentando se justificar por se disfarçar em pomba e agir como raposa.

Feliz Ano Novo aos que escondem o Sol no armário, sopram a luz das estrelas e põem espessas cortinas no limiar do horizonte. Aos que nunca tiveram tempo para a dança, ignoram por que os pássaros cantam e jamais escutaram um rumor de anjos.

Feliz Ano Novo aos que bordam iras com agulhas afiadas e desperdiçam palavras no furor de suas emoções desabridas; seqüestram dignidades e, como os colecionadores de borboletas, sentem prazer em espetá-las no interior de cavernas obscuras.

Feliz Ano Novo aos faquires da angústia e aos que, equilibrados num fio de sal, trafegam por cima de montanhas de açúcar. Também aos que jamais dobraram os joelhos em reverência aos céus e acreditam que a história do Universo tem início e fim neles.

Feliz Ano Novo às mulheres que destilam antigos amores em cápsulas de veneno e aos homens que, ao partir, mostram, às costas, a face diabólica que traziam mascarada sob juras de amor.

Feliz Ano Novo aos jovens enfermos de velhice precoce e aos velhos que, travestidos de adolescentes, bailam aos desafinados acordes do ridículo. E aos que atravessam o tempo sem se livrar de bagagens inúteis e ainda sonham em ingressar numa nova era sem tornar carne o coração de pedra.

Feliz Ano Novo aos que já não sabem conjugar os verbos no plural; agendam sentimentos e estão sempre atrasados na vida; mendigam admiração e se prostituem frente à sedução do poder.

Feliz Ano Novo àqueles que dão "mau-dia" ao acordar, afogam em trevas interiores a alegria que lhes resta, encaram a vida como madastra de história infantil. E aos que julgam que laços de família se cortam com a ponta afiada da língua e ignoram que o sangue escreve letras indeléveis.

Feliz Ano Novo aos que se apegam ao poder como a fuligem ao lixo, infantilizados pelas mesuras, prenhes de mentiras ao agrado do ouvido alheio, solícitos às providências que assassinam a ética. Sejam também felizes os que tentam corromper os filhos com agrados materiais e nunca dispõem de tempo para olhá-los nos olhos do coração.

Feliz Ano Novo aos navegadores cibernéticos, mariposas de noções fragmentadas, amantes virtuais que se entregam, afoitos, ao onanismo eletrônico, digitando a própria solidão.

Feliz Ano Novo aos poetas que não sabem tragar emoções e engolem com ira palavras que trariam vida ao mundo. E aos que abominam a arte por desconhecerem que o ser humano é modelado em barro e sopro.

Feliz Ano Novo a todos que temem a felicidade ou consideram, equivocadamente, que ela resulta da soma dos prazeres. E aos que enchem a boca de princípios e se retraem, horrorizados, diante do semelhante que lhe é diferente.

Feliz Ano Novo às mulheres que se embelezam por fora e colecionam vampiros e escorpiões nos lúgubres porões do espírito. E aos homens que malham o corpo enquanto definha a inteligência, transgênicos prometeus acorrentados ao feixe dos próprios músculos.

Feliz Ano Novo a todos os infelizes, aos que o são e aos que se julgam, cegos às infinitas possibilidades da luz e das rotas. Sejam todos agraciados pela embriaguez da alegria divina, abertos ao Deus que os habita e ao amor que, como um rio cristalino, jamais nega água a quem se ajoelha, reverencia o milagre da vida e aprende a beber do próprio poço.

Fonte  http://www.correiocidadania.com.br/

Frei Betto é escritor, autor do romance "Entre todos os homens", entre outros livros 

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Redação de uma menina sobre o Hino Nacional

Na cidade de Joinville houve um concurso de redação na rede municipal de ensino. O primeiro lugar foi conquistado por uma menina de apenas 14 anos de idade.E ela se inspirou exatamente na letra de nosso Hino Nacional para redigir um texto, que demonstra que os brasileiros verde amarelos precisam perceber o verdadeiro sentido de patriotismo.


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Certa noite, ao entrar em minha sala de aula, vi num mapa-mundi, o nosso Brasil chorar:

O que houve, meu Brasil brasileiro? Perguntei-lhe!
E ele, espreguiçando-se em seu berço esplêndido, esparramado e verdejante sobre a América do Sul, respondeu chorando, com suas lágrimas amazônicas: Estou sofrendo. Vejam o que estão fazendo comigo... Antes, os meus bosques tinham mais flores e meus seios mais amores. Meu povo era heróico e os seus brados retumbantes. O sol da liberdade era mais fúlgido e brilhava no céu a todo instante. Onde anda a liberdade, onde estão os braços fortes?

Eu era a Pátria amada, idolatrada. Havia paz no futuro e glórias no passado. Nenhum filho meu fugia à luta. Eu era a terra adorada e dos filhos deste solo era a mãe gentil.

Eu era gigante pela própria natureza, que hoje devastam e queimam, sem nenhum homem de coragem que às margens plácidas de algum riachinho, tenha a coragem de gritar mais alto para libertar-me desses novos tiranos que ousam roubar o verde louro de minha flâmula.

Eu, não suportando as chorosas queixas do Brasil, fui para o jardim. Era noite e pude ver a imagem do Cruzeiro que resplandece no lábaro que o nosso país ostenta estrelado. Pensei... Conseguiremos salvar esse país sem braços fortes? Pensei mais... Quem nos devolverá a grandeza que a Pátria nos traz?

Voltei à sala, mas encontrei o mapa silencioso e mudo, como uma criança dormindo em seu berço esplêndido."

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

CNBB SAI EM DEFESA DE DILMA E ATACA CUNHA


CNBB sai em defesa de Dilma e ataca Cunha

Por Agência Brasil  - Atualizada às 

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Texto

Para a comissão da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, presidente da Câmara agiu por interesse pessoal; na noite de quarta, Cunha acatou o pedido de impeachment contra Dilma

Agência Brasil
A Comissão Brasileira de Justiça e Paz, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), criticou nesta quinta-feira (3) o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que autorizou a abertura de processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Em nota, a CNBB questiona os motivos que levaram o deputado a aceitar o pedido de abertura do processo.
Com “imensa apreensão”, a comissão da CNBB afirma que a atitude de Cunha “carece de subsídios que regulem a matéria” e que a sociedade está sendo levada a crer que “há no contexto motivação de ordem estritamente embasada no exercício da política, voltada para interesses contrários ao bem comum”. Por fim, para a comissão, Cunha agiu por interesse pessoal.

Presidente Dilma Rousseff rebateu em pronunciamento declaração de Eduardo Cunha
Lula Marques/Agência PT - 03.12.15
Presidente Dilma Rousseff rebateu em pronunciamento declaração de Eduardo Cunha

A entidade católica, que participou de uma manifestação pela ética na política na época em que o então presidente Fernando Collor enfrentou processo de impeachment, afirma no comunicado que “o impedimento de um presidente da República ameaça ditames democráticos, conquistados a duras penas”.
“Que autoridade moral fundamenta uma decisão capaz de agravar a situação nacional com consequências imprevisíveis para a vida do povo? […] É preciso caminhar no sentido da união nacional, sem quaisquer partidarismos, a fim de que possamos construir um desenvolvimento justo e sustentável”, acrescenta a comissão da CNBB.
O anúncio da aceitação do pedido de abertura do processo de impeachment foi feito no fim da tarde de quarta-feira (2) por Cunha. Poucas horas depois, Dilma fez um pronunciamento no qual declarou não ter contas no exterior, nem que participa de “barganhas” com o Congresso.
Cunha, que quando anunciou ter aceitado o pedido de abertura do processo disse não estar feliz por tomar a decisão, rebateu as declarações da presidente. O presidente da Câmara declarou que Dilma “mentiu à nação” quando disse que seu governo não barganhava com o Congresso.
Uma comissão especial formada para analisar o processo terá seus membros anunciados nas próximas horas. Serão 65 deputados, representando todos os partidos da Casa. Desde o início desta tarde, o deputado Beto Mansur (PRB-SP) lê o pedido aceito por Cunha e apresentado pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr e Janaína Paschoal.
    Leia tudo sobre: dilma rousseff • eduardo cunha • impeachment

    quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

    UMA MULHER NEGRA



    Sociedade

    Feminismo Negro

    'Uma mulher negra feliz é um ato revolucionário'

    Esta coluna é da feminista negra Juliana Borges como parte do movimento #AgoraÉQueSãoElas
    por Mauricio Moraes — publicado 04/11/2015 15h31, última modificação 04/11/2015 18h32
    Sidney Rocharte
    O feminismo negro é o que possibilita que possamos amar e transformar qualquer realidade opressora
    'O feminismo negro é o que possibilita que possamos amar e transformar qualquer realidade opressora'
    O colunista Maurício Moraes convida a feminista Juliana Borges para ocupar o espaço de sua coluna em CartaCapital  dentro do projeto #AgoraÉQueSãoElas.

    O que é ser mulher negra?

    Por Juliana Borges
    Quando você pensa numa mulher negra, o que vem à sua cabeça? Qual é a imagem que seu cérebro lhe apresenta? As mulheres negras são historicamente estereotipadas e chegaram a ser animalizadas como instáveis, incapazes para o trabalho intelectual, quentes, lascivas, desconfiadas, brutas, impacientes, braçais, bravas.
    Um discurso alicerçado na constituição de uma sociedade escravocrata, que persiste com nova roupagem para a manutenção dos mecanismos de opressão, repressão, exploração e abuso que sofremos.
    O histórico de exploração e de construção imagética do que é ser negra no Brasil, a ponto de nos obrigar a reconstruir nossa identidade, nos garante o direito de sermos bravas. Mas chamam-nos bravas, raivosas, para deslegitimar a indignação e revolta pela exploração a que somos submetidas.
    Não somos braçais. Dizem-nos braçais, “as que aguentam”, como pretexto para que nos fizessem cargueiros, como mão de obra superexplorada, escravizada até pouco mais de cem anos, e corpos violados pelos “senhores”. Não somos impacientes. Dizem-nos impacientes para desautorizar nossa ânsia por liberdade e igualdade.
    Tomamos para nós a tarefa da resistência não por escolha, mas porque nos tiraram o direito ao núcleo familiar quando nos separaram de nossos companheiros e quando os assassinaram, assim como a nossos pais, tios, primos, irmãos e filhos.
    Aprendemos a resistência como único meio de sobrevivência frente à barbárie a qual somos submetidas. Aprendemos a guerrear como único meio de defesa do que sobrou de nossos lares e de nossa história.
    Subverteremos a sensualização a qual somos constantemente submetidas e celebraremos nossos corpos explorados pelo desejo da negação e tentativa de inferiorização. Nossos quadris, nossos seios serão celebrados como rainhas não de uma festa, mas da vida inteira.
    Sob este discurso, espaços nos são negados. Se as mulheres são subrepresentadas, faça mais um recorte. Com certeza, uma mulher negra estará mais ainda sem voz, sem espaço e representatividade.
    Nossa autoestima é confrontada todos os dias por não nos enxergarmos em nenhuma revista, programa de TV, comercial. E mais que isso, nossa autoestima é confrontada todos os dias porque, por muito tempo, o amor nos foi negado.
    Ser mulher negra é um processo de reencontro cotidiano, de reconstrução da identidade que nos foi tomada e negada. Bell Hooks, em um de seus textos mais notórios, fala sobre a vivência do amor para os negros e, principalmente, para as mulheres negras. Sobre essa experiência roubada, a de amar. 
    E é aí que reside umas das questões fundamentais do feminismo negro: a condição para que o “ser brava” não sirva aos interesses da branquitude, mas que transforme este grito, há tanto reprimido, em luta transformadora, garantidas todas as especificidades das opressões que vivemos.
    A condição para que subvertamos esta lógica e amemos. Tenho uma amiga, e ela saberá quando ler, que diz que “uma mulher negra feliz é um ato revolucionário”. E essa felicidade passa pela reconstituição do amor que liberta.
    Às mulheres negras foi imposto se preocupar e cuidar do outro, abrir mão de necessidades próprias. E, por desconhecer essa possibilidade de amor, afastamos e respondemos agressivamente. Porque a agressão é o que está mais presente em nosso cotidiano em um amplo espectro de violência.
    Ser brava passa por isso e potencializa-se quando passamos pelo processo de reconstrução identitária, do nosso processo de cura. É preciso reconstituir cacos internos para recompor esse ser que habitamos e para expormos. Acredito fortemente nessa potência do amor.
    O feminismo negro tem em uma de suas facetas essa subversão de imagens e construções históricas, que se apresentam na especificidade mais totalizante que podemos ansiar na luta que travamos pela justiça e pela igualdade. É a transformação em potência máxima da resistência e da libertação não só das mulheres negras.
    O feminismo negro é o que possibilita que possamos bravamente amar e, assim, destruir e transformar qualquer realidade opressora à nossa frente.
    E esse amor revolucionário transborda. Aliar-se a nós é se deixar levar por esse mar ora bravo ora sereno. Mergulhar nesse processo revolucionário e nos enxergar em nossa inteireza.
    Quantos textos literários de mulheres negras você leu? Quantas intelectuais negras você leu? A quantos filmes produzidos por mulheres negras você assistiu? Quantas produtoras negras você conhece? Deixa esse bravo amor entrar.
    * Juliana Borges é formada em Letras. Está, hoje, Secretária Municipal de Mulheres do PT São Paulo.