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sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

CONFIRA 10 DICAS PARA PERCORRER O CAMINHO DE SANTIAGO DE COMPOSTELA

Fonte - G1





Orientações são de autor de guia brasileiro recém-lançado sobre a rota.
Saiba quanto custa, como se preparar e como aproveitar melhor o percurso.

Flávia MantovaniDo G1, em São Paulo
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Daniel Agrela no Caminho de Santiago (Foto: Memo Vásquez/Divulgação)Daniel Agrela no Caminho de Santiago (Foto: Memo Vásquez/Divulgação)
Mais do que uma viagem, um projeto de vida. Assim o brasileiro Daniel Agrela, de 30 anos, define o que significou para ele percorrer o Caminho de Santiago, rota de peregrinação há doze séculos que chega até a cidade de Santiago de Compostela, na Espanha, e é considerado Patrimônio da Humanidade.
Peregrino no Caminho de Santiago (Foto: Memo Vásquez/Divulgação)Peregrino (Foto: Memo Vásquez/Divulgação)
Daniel percorreu em 33 dias os 800 km do Caminho Francês, a rota mais tradicional entre as muitas que existem. E fez isso não uma, mas duas vezes, em 2007 e em 2011. Ele é também é o criador de uma comunidade do Facebook sobre o Caminho que reúne 20 mil seguidores.
Agora, Daniel, que é jornalista, lançou o livro “O Guia do Viajante do Caminho de Santiago – Uma Vida em 30 dias” (ed. Évora). Segundo a editora, é o primeiro guia brasileiro sobre a rota.
Passar 30 dias caminhando em um território lindo, conhecendo pessoas de todo o mundo e passando sua vida a limpo é um momento de reflexão pura"
Daniel  Agrela
Dificuldades
A primeira vez que Daniel viajou para Santiago foi em 2007. Ele estava passando um ano na Irlanda e resolveu, de última hora, encarar a caminhada antes de voltar para o Brasil.
“Eu já estava com aquilo na cabeça. Minha mãe tinha falecido dois anos antes e uma das formas que encontrei de tentar entender aquilo foi fazer essa caminhada”, conta ele.
Logo no primeiro dia, começaram as dificuldades. Na primeira cidade do caminho, St Jean Pied de Port, no sul da França, ele enfrentou uma grande subida, que o levou de 200 m acima do nível do mar para uma altitude de 1.400 metros em apenas um dia.
Mas, à medida que o tempo foi passando, o corpo se acostumou, a beleza da paisagem ajudou e as pessoas que ele cruzou pelo caminho, também. “Tinha gente de todas as idades, até de 70 anos. E de todas os perfis. Conheci desde presidente de multinacional até limpador de vidro. Eles caminhavam juntos, conversando.”
Daniel Agrela no Caminho de Santiago (Foto: Memo Vásquez/Divulgação)Daniel descansa no meio do caminho, de 800 km
no total (Foto: Memo Vásquez/Divulgação)
Em 2011, ele resolveu percorrer a rota novamente, já com a intenção de escrever o livro.
Segundo Daniel, o interesse dos brasileiros pelo Caminho vem crescendo. De uma lista de 143 países, o Brasil é o 13º que mais envia turistas para lá. Santiago.
“Para muita gente, é como um sonho de vida que parece difícil de ser atingido, mas não é. Fora a passagem até a Europa, não é uma viagem tão cara”, diz Daniel, que gastou 800 euros durante todo mês na primeira viagem.

Ele acredita que quem faz o Caminho volta diferente. "Passar 30 dias caminhando em um território lindo, conhecendo pessoas de todas as partes do mundo, passando sua vida a limpo, é um momento de reflexão pura”, diz.
Confira a seguir as ficas de Daniel para quem quer se aventurar nessa viagem.
ANTES DE COMEÇAR

1 - Prepare-se fisicamente
Não é preciso ser esportista ou “rato de academia” para fazer a viagem, mas é necessário ter um mínimo de preparo físico. Caminhar por uma hora diariamente ajuda nessa preparação.

Se puder, nessas caminhadas pré-viagem, usar as botas que vai calçar no Caminho, melhor ainda, pois os pés já vão se acostumar com elas, diminuindo a incidências de bolhas que surgem durante a jornada.
Caminhantes no Caminho de Santiago (Foto: Memo Vásquez/Divulgação)Caminhantes interagem na estrada
(Foto: Memo Vásquez/Divulgação)
2 - Faça um check-up
Procure seu médico e faça exames de rotina, principalmente do coração.
Caminhar todos os dias por muitos quilômetros requer que você esteja em dia com a saúde.
Também pode ser bom consultar ortopedistas, para ver o que fazer caso tenha dor nas pernas, e um dentista.

3 - Informe-se
Pesquise o máximo que puder. Procure saber como surgiu o Caminho, suas tradições, seus personagens, os pontos principais do trajeto etc. Isso fará com que a experiência seja mais bem aproveitada.
4 - Aprenda a viver com o essencial
É extremamente recomendável levar o mínimo possível de roupas e itens pessoais na mochila, já que ela terá que ser carregada ao longo de toda a caminhada. O recomendável é que o peso da mochila não ultrapasse 10% da massa corporal do viajante. Além disso, viver com o essencial é um dos principais ensinamentos do Caminho de Santiago.
Albergue no meio do Caminho de Santiago (Foto: Memo Vásquez/Divulgação)Caminho tem albergues públicos e privados
(Foto: Memo Vásquez/Divulgação)
5 - Planeje os gastos
Excluindo gastos com passagem aérea, é possível fazer o Caminho de Santiago, ao longo de cerca de 30 dias, com mil euros. Nesse caso, é preciso dormir em albergues municipais (onde muitas vezes deixa-se um donativo como forma de pagamento), fazer sua própria comida no albergue e não ter gastos que não sejam essenciais.

Com 1.400 euros já é possível fazer uma viagem mais confortável, dormindo em albergues privados e experimentando o Menu do Peregrino nos restaurantes pelo Caminho.
Outra dica: para não se perder nas contas, o ideal é dividir o total do dinheiro pelo número de dias.
Placa indicativa do Caminho de Santiago (Foto: Memo Vásquez/Divulgação)Placa indicativa orienta viajantes
(Foto: Memo Vásquez/Divulgação)
DURANTE O TRAJETO
6 - Respeite o seu limite
A cada dia o viajante terá uma etapa de caminhada a cumprir. Normalmente, as etapas têm uma média de 20 a 24 quilômetros, entre o ponto inicial e de destino. No entanto, se você estiver cansado ou algo acontecer, não fique com receio de parar na próxima cidade e recomeçar no dia seguinte. Não se trata de uma corrida. Caminhe dentro do seu limite.
7 - Use um cajado
O terreno na rota é muito acidentado. Subidas e descidas aparecem pela frente o tempo todo, e o cajado é um grande amigo nessas horas. Na subida, por exemplo, ele ajuda a pegar impulso e, na descida, auxilia a conter a velocidade, preservando o esforço dos joelhos.
8 - Esteja aberto a todo tipo de cultura
Pessoas de todas as partes do mundo, de diferentes culturas, classes sociais e crenças, buscam a rota de Compostela como forma de reflexão e aprendizado. Procure aprender com todos que cruzarem seu caminho.
Paisagem no Caminho de Santiago (Foto: Memo Vásquez/Divulgação)Paisagem no meio do Caminho
(Foto: Memo Vásquez/Divulgação)
9 - Caminhe sozinho em alguns momentos
Caminhar sozinho permite que o peregrino conheça mais sobre si mesmo. Além disso, com a mente livre, sem os ruídos do cotidiano, abre-se caminho para o resgate de antigas lembranças, quase apagadas da memória.

10 - Controle a ansiedade
À medida que o viajante avança nos quilômetros percorridos, a vontade de chegar a Santiago aumenta.
Tente evitar a ansiedade, pois ela torna a etapa mais longa e cansativa. Lembre-se que o Caminho é também um grande exercício de paciência.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

SENTIR ANGÚSTIA EXISTNCIAL?

Sente angústia existencial? Reflita sobre esse sentimento
por Monica Aiub




"A angústia que paralisa, que torna a vida inviável, pode e deve ser cuidada, assim como a angústia que gera movimento, que cria, pode e deve ser estudada e utilizada para a construção de formas de vida mais condizentes com nossas necessidades e anseios"Muitas pessoas trazem ao consultório a queixa de uma angústia, de uma perturbação existencial que as acompanha “desde sempre”. Há casos em que se trata de uma angústia gerada por uma situação circunstancial, algo que demanda uma interferência no ambiente, nas relações, no contexto de vida da pessoa.
Assim, essa perturbação é provocada por situações externas, e é possível identificar sua gênese, seu papel, e encontrar formas de lidar com ela. Nesses casos, buscar maneiras de intervir, de modificar contextos, ainda que tais contextos tenham acompanhado a pessoa “desde sempre” ou por um longo período de sua vida, pode ser uma resposta à queixa.
Obviamente, não se pode modificar contextos, ambientes, relações ou formas de vida sem antes averiguar as possibilidades, viabilidades e implicações de tais mudanças e avaliar se, de fato, elas podem ou devem ser provocadas. Por isso todo o trabalho de pesquisa feito através da historicidade da pessoa, de uma análise minuciosa das intrincadas relações das diferentes formas de estruturação, é imprescindível a tal decisão.


Todavia, há casos que dizem respeito a uma angústia que não é gerada por questões circunstanciais, mas trata-se de uma insatisfação, de algo que acompanha a pessoa por todo o percurso de sua existência. Para alguns, uma angústia capaz de gerar, criar novas formas de vida, uma angústia criativa. Para outros, uma angústia impeditiva, que não permite viver o que se é, em casos extremos, não permite viver.

Não que todas as pessoas sejam, por natureza, angustiadas. Há quem não tenha experimentado a angústia e nem por isso seja incapaz de criar, ou de viver bem. Mas é muito comum encontrarmos essa angústia como queixa.
Angústia criativa

Alguns buscam ajuda incomodados por sua angústia criativa. Vislumbram uma vida plenamente feliz, com uma espécie de felicidade absoluta, onde nada incomoda, tudo é vivido com equilíbrio, harmonia e bem-estar. Será essa situação possível?

Ainda que conseguíssemos encontrar um equilíbrio total conosco mesmo, ainda assim viveríamos relações com os outros, e a sociedade na qual estamos inseridos não nos proporciona, pelo menos no presente momento, uma situação de equilíbrio, harmonia e bem-estar que atenda a todos, ou ao menos à maioria de seus membros.

Seria essa angústia uma espécie de descontentamento mobilizador à avaliação dos modos de vida que escolhemos para nós? Seria ela a portadora da notícia da necessidade de mudança? Seria ela a provocadora a uma reflexão acerca de nossas formas de organização social e dos modos como estabelecemos nossas relações? Ou seria ela um mal a ser extirpado a todo custo?

Por um lado, temos constantemente divulgada, em nossos meios de comunicação, a necessidade de atingirmos uma espécie de “felicidade modelo”. A felicidade que se compra, que se usa, que se encontra em drogas lícitas e ilícitas, que reside na resignação, na aceitação tácita de maneiras de viver que não nos satisfazem, mas que a desculpa perfeita de ser a única possibilidade existente nos permite uma espécie de acomodação.

Por outro lado, não nos satisfazemos, em grande parte das vezes, com essa possibilidade que nos parece ser a única. Um mal-estar nos sobrevêm na maior parte do tempo e, com isso, nos sentimos infelizes, impotentes diante da impossibilidade de sermos de outras maneiras. Mas o que nos fez concluir tal impossibilidade?

Que elementos concretos possuímos para considerar algo impossível, inviável?

Se, há quinhentos anos atrás, alguém dissesse que um dia seríamos capazes de nos comunicar em tempo real com uma pessoa no outro lado do mundo, e mais, que poderíamos ver essa pessoa na tela de uma máquina, muito provavelmente esse alguém seria considerado um lunático. E hoje o lunático é aquele que nega tal possibilidade, pois ela se fez concreta, justamente por alguém acreditar ser possível.

Muitos confundem esse argumento com um argumento que defende uma espécie de “pensamento positivo”. Pense e acontecerá! Não é a isto que me refiro, e sim à possibilidade de criarmos novos instrumentos, novas formas de nos relacionarmos, de vivermos, de sermos aquilo que desejamos ser.

Às vezes criticamos algumas posturas, encontradas no pensamento mítico, que colocavam o destino do ser humano nos caprichos dos deuses do politeísmo, ou posturas que atribuíam a deuses ou demônios a responsabilidade sobre nossas ações. Quem são nossos deuses e demônios hoje? Em quais possibilidades acreditamos?

Filosofia na Antiguidade Clássica

O surgimento da filosofia, na Antiguidade Clássica, traz para o ser humano a competência de tomar as rédeas de sua própria vida, de responsabilizar-se sobre seu destino. Não se trata mais de aceitar os desígnios dos caprichosos deuses, mas de conhecer sua própria natureza e a natureza do universo que habitamos para nos situarmos e orientarmos nossas ações da melhor maneira possível.

Hoje, alguns de nós ainda atribuímos a deuses e demônios a responsabilidade sobre nossas vidas. Poderíamos chamar a esse debate autores como Epicuro, que afirmava que se os deuses existem e são tão poderosos quanto imaginamos, eles têm ocupações muito maiores e mais sérias do que ficar, caprichosamente, interferindo na vida humana. Muitos outros filósofos poderiam ser convidados a essa discussão, mas a grande questão é: estamos, como afirmou Sartre, sós e abandonados? Somos responsáveis por aquilo que fazemos com o que fizeram conosco? Quais as implicações de nossas crenças nas posturas que adotamos e nas escolhas que fazemos?

Existe destino?

Atendo pessoas que creem não ter possibilidade de modificar suas vidas, acreditam, fielmente, que seu destino está traçado por uma condição social, biológica ou de qualquer outra natureza. A consequência dessa crença, em grande parte das vezes, consiste num desânimo perante a vida, numa espécie de desistência de seus sonhos, de suas possibilidades de ser. Isso, por vezes, promove grande sofrimento. A ausência da crença na possibilidade, o descrédito em si mesmas e na flexibilidade do ser humano.

Quando modificadas essas crenças, é comum que as coisas passem a acontecer de outra maneira. O que foi isso? Mágica? Interferência do pensamento na realidade? De alguma maneira sim. Contudo, tal interferência pode ser explicada de maneira simples pela mudança de postura diante das situações. Ao invés de acreditar que determinado caminho é inviável e desistir diante de um primeiro obstáculo, certas crenças fortificam a pessoa a persistir na construção de seu caminho, a assumir uma postura mais ativa diante de sua realidade e, consequentemente, a provocar, através de suas ações, a movimentação do mundo à sua volta.

E então lhe pergunto, leitor: você já se sentiu angustiado? O que desejou fazer com sua angústia? Extirpá-la? Livrar-se dela? Ou pensá-la como forma de reavaliação de sua vida, como possibilidade de um encontro com novas formas de ser? Em que sua angústia resultou? Movimentação existencial ou paralisação?

Há que se lembrar que a angústia que paralisa, que torna a vida inviável, pode e deve ser cuidada, assim como a angústia que gera movimento, que cria, pode e deve ser estudada e utilizada para a construção de formas de vida mais condizentes com nossas necessidades e anseios. Mas deixemos a angústia que paralisa para próximos artigos.

Referências:
EPICURO. Carta a Meneceu: sobre a felicidade. São Paulo: UNESP, 2002.
SARTRE, Jean-Paul. O existencialismo é um humanismo. Col. Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1974.

terça-feira, 1 de julho de 2014

É O NOVO QUE SE FAZ!


Partir, sonhar, recomeçar.
Eis a questão!
Neblina serrada embaça meu caminho

Pareço estar sozinha
Sem linha reta para caminhar

Avanço!
Paro...
Descanso!
A brisa mansa banha minha alma
Amedronta-me e me acalma
Tenho certeza que logo ali

O sol vai despontar
Vai me abraçar,
Amparar,
Afagar.
É o novo que se faz!




Celina Missura

quinta-feira, 26 de junho de 2014

FILME CRIANÇAS INVISÍVEIS - EPISÓDIO 8

FILME - CRIANÇAS INVISÍVEIS
EPISÓDIO 8


Bilú e João, de Kátia Lund
(Brasil/Itália, 2005)
por Cezar Migliorin


A violência do banal

O curta-metragem Bilú e João, de Kátia Lund é parte do filme Crianças Invisíveis (All The Invisible Children), que tem ainda filmes de diretores como Emir Kusturica, Spike Lee, Ridley Scott e John Woo, entre outros – todos tendo como foco a situação de crianças em diversas lugares do mundo. O curta acompanha duas crianças pobres (Francisco Anawake e Vera Fernandes) em São Paulo, na sua busca por alguns reais para comprar tijolos. Pedir ou roubar não é dado como possibilidade, e isso introduz as crianças em uma complexa circulação pela cidade e também em uma cadeia de produção e trocas econômicas. O filme se passa em um dia e uma noite sem levar a nenhum lugar especial e sem nenhum grande evento.
No filme, as crianças estão inseridas no mundo do trabalho; recolhem alumínio e papelão e fazem pequenos transportes. Na circulação e nas trocas tudo tem valor: o espaço de trabalho, o carrinho que as crianças alugam para fazer transportes e todos os restos do consumo. Quando o garoto ganha uma laranja de um feirante, em um dos poucos gestos descompromissados do filme, ele retribui com a objetividade da lógica que domina seu dia, sua vida. Ele leva ao feirante um comprador: - Estas são as melhores e mais baratas laranjas da feira, diz o garoto ao comprador.

A violência do curta de Kátia Lund está no ordinário, no que é aceito, no que é parte do movimento da cidade e do mundo. Elas não estão envolvidas em drogas, brigas, roubos ou guerras, não estão na ilegalidade. Pelo contrário, fazem parte de uma cadeia produtiva muita mais ampla que São Paulo e sua periferia. No momento em que vão vender as latinhas que recolheram acabam recebendo um real a menos por quilo porque o dólar caiu. Vamos percebendo no filme uma naturalização deste lugar da criança, ou da falta de um "lugar"; em meio à agressividade que não é do pai ou de um personagem específico, mas da cidade, dos grandes carros, da arquitetura, da lógica que as crianças são obrigadas a compartilhar. "Amanhã a gente continua" diz a menina no final do filme. O realismo brasileiro trocou a bicicleta pelo carrinho de mão e, sobretudo, perdeu o pai. A delicadeza do filme de Kátia Lund está na maneira que colocou estas crianças no interior desta lógica.

No final, um plano emblemático: em primeiro plano a favela, e no fundo os prédios espelhados. O contraste explicitado. Este plano parece ter sido arrancado do roteiro, podemos quase ouvir a diretora que diz: "é disso que eu preciso falar!" Levei esse plano para casa... Aquela imagem me parecia simplória, um clichê da desigualdade no Brasil, uma imagem amplamente conhecida. Um plano que refazia a lógica da separação desfeita pelo filme. Porque utilizá-la? Trago duas hipóteses, não excludentes.
A primeira reflete uma crença de Kátia Lund no cinema. A crença que, após construir as relações entre personagens, sistemas de produção e a cidade, esta imagem perderia sua nulidade, seu auto-apagamento no clichê e ganharia nova vida. Como se após o filme – já que se trata da última imagem do curta – fôssemos capazes de ser tocados novamente por uma imagem emblemática, que tende a ser apagada se não construirmos um espectador para ela. A segunda hipótese é conciliatória, e por isso o risco do clichê. Uma imagem-clichê tem um sentido: é assim, assim é o mundo. Se esta imagem não foi desconstruída, corre o risco de denunciar sem sair do lugar. A imagem conhecida nos garante um lugar, sabemos como reagir a ela, não nos desloca de um saber que já possuímos; esse é o risco. Talvez por tudo isso este plano final do curta tenha me ocupado, pelo risco de amortecer a narrativa e a complexidade que o filme construiu.

editoria@revistacinetica.com.br




http://www.revistacinetica.com.br/biluejoao.htm

quinta-feira, 22 de maio de 2014

A VIDA É BELA - filme


Sinopse e detalhes


Durante a Segunda Guerra Mundial na Itália, o judeu Guido (Roberto Benigni) e seu filho Giosué são levados para um campo de concentração nazista. Afastado da mulher, ele tem que usar sua imaginação para fazer o menino acreditar que estão participando de uma grande brincadeira, com o intuito de protegê-lo do terror e da violência que os cercam.

Trabalho sobre o filme

1- Resumo do filme destacando a) O que o autor quis mostrar com esse filme. b) qual o cenário politico que o filme passa? c) Como se dá a relação pai e filho? Fale um pouco do nazismo, campo de concentração e judaismo? d) qual a cena que voce mais gostou no filme? e) Tire uma conclusão pessoal.